Com a guerra à porta, o exército americano lançou-se na corrida ao armamento. Da necessidade nasceu o Jeep. Uma lenda que, ainda hoje, define o léxico do todo-o-terreno.

 

 
 

 

No início de 1940 o governo dos Estados Unidos da América começou a tomar consciência do perigo crescente que representava o avanço do IIIº Reich de Hitler. A Europa dava sinais de fraqueza e a América encetava os preparativos para qualquer eventualidade. A máquina de guerra era posta em movimento pela primeira vez.

Uma das principais carências americanas era ao nível de veículos ligeiros, equipados para o campo de batalha. Com apenas 30 000 viaturas contabilizadas, o exército estava gravemente sub-motorizado. A corrida ao armamento.

Em Junho de 1940 William Beasley, presidente da Comissão Técnica do Estado-maior (Quartermaster Corps Ordnance Technical Committee), esboçava o caderno de encargos para o concurso de um novo veículo de quatro rodas motrizes – eventualmente direccionais – na categoria de ¼ de tonelada para equipar o exército.


 
 

 

Alguns dos requisitos estipulados no caderno de encargos de Beasley eram referentes às cotas do veículo, mas também ao seu peso e carga útil. A distância ao solo deveria ser no mínimo de 16 centímetros, enquanto que o comprimento máximo da carroçaria teria que respeitar o limite dos 2 032 mm. A carga útil seria no mínimo de 272 quilogramas (o equivalente a três homens e uma metralhadora), e o peso total do veículo deveria situar-se na casa dos 590 quilogramas, um valor depressa considerado como excessivamente optimista e inatingível.

Das 135 empresas contactadas pelo governo, apenas duas responderam: a Bantam Car Manufacturing Company e a Willys-Overland. Estas teriam que produzir um protótipo no prazo máximo de 49 dias. Obrigatoriamente, oito das viaturas deveriam ter quatro rodas direccionais. O orçamento seria de 175 000 dólares.

A menos favorita Bantam foi a primeira a apresentar o seu protótipo. O Pilot BRC-60 foi entregue em mãos por Karl Probst, líder do projecto, no Camp Holabird para testes no dia 23 de Setembro de 1940. O “Old Number One”, como havia de ficar conhecido, estava equipado com um motor industrial Continental e, aparte de não respeitar o peso máximo, estava dentro das normas exigidas pelo caderno de encargos. Enquanto o Bantam era testado à exaustão em Camp Holabird, a Willys-Overland acabava por se dar como vencida na batalha, não apresentando qualquer proposta no tempo regulamentar.

Assim, e depois de aturados testes, à Bantam era atribuído o contracto para a construção de mais 69 unidades semelhantes. Pouco tempo depois da entrega dos primeiros Bantam BRC-60, a Willys e a recém-chegada Ford eram autorizadas a reentrar na corrida e examinar o protótipo da Bantam. Por desconfiança na capacidade produtiva da empresa americana, ou apenas como precaução suplementar, o exército relançou um novo concurso.

A Ford respondeu com o seu protótipo “Pigmy”, responsável pela forma de carroçaria a ser posteriormente adoptada nos Willys MB, de chassis robusto e faróis integrados. No entanto, o Willys Quad, o protótipo inglês, apresentou um trunfo imbatível. Apelidado de “Go Devil”, o pequeno motor de 2,2 litros era bastante mais performante e económico que o motor da Ford.



 
 




A empresa inglesa Willys-Overland conseguia assim assegurar o fabrico dos veículos todo-o-terreno para o exército americano, recorrendo a uma fórmula bem conhecida dos europeus: utilizando um motor de quatro cilindros, com 60 cavalos de potência, montado à frente em posição longitudinal, e mantendo o peso do conjunto nos 1054 quilogramas, o que permitia atingir cerca de 105 km/h de velocidade máxima.

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