Quando a maioria dos construtores aposta na personalização, a Ford seguiu um caminho diferente no novo modelo do segmento B, oriundo da Índia:  visual conservador, motor descendente do antigo 1.25 e relação simplificada entre preço e equipamento. Um sucessor espiritual do Fusion que nada tem a ver com o Ka antigo.

A Ford aprendeu a lição com o Ecosport, crossover para mercados emergentes introduzido na Europa sem grandes ajustes de produto. Ao lançar na Europa o Ka+ (modelo de cinco portas fabricado na Índia, onde tem o nome Figo) a marca norte-americana pretende agradar aos clientes das versões mais baratas do Fiesta e substituir o antigo Ka na base da gama – citadino de três portas que na segunda geração era um gémeo do Fiat 500. O Ka+ tem uma lista de opções curta e faz-se valer da simplicidade, espaço, conforto e relação preço/equipamento. Estas caraterísticas fazem com que recupere o conceito do Fusion, também derivado do Fiesta e produzido até 2012. Mas a Ford garante ter adotado o Ka+ ao exigente mercado europeu: aumentou a rigidez em 47%, tendo operado importantes alterações no chassis, introduzindo uma direção eletromecânica que exige menos voltas de volante; mas também ao nível da suspensão, apostando em molas, amortecedores e casquilhos diferentes em relação ao Ka+ para os outros continentes, que é também 10 mm mais alto nos mercados emergentes. A base é a do atual Fiesta, mas com um eixo traseiro especialmente desenvolvido para este Ka+. Existem parecenças com o Fiesta no interior, contudo, o ambiente é simplista e menos refinado, coberto de plásticos duros. A posição de condução é confortável e elevada, permitindo uma boa visibilidade da estrada. Equipado com o motor 1.2 de quatro cilindros atmosférico com 85 cv, o Ka+ mostra-se competente em regimes intermédios, tornando a condução tranquila, especialmente em cidade. No entanto, só revela alguma vivacidade acima das 3000 rpm. A caixa manual de cinco velocidades, não muito longa e com bom tato mecânico, ajuda a tirar partido das recuperações, tornando o motor disponível, sem que os consumos deixem de ser relativamente razoáveis - fizemos uma média de 6,1 l/100 km. Os pneus de baixo atrito (de série) contribuem para essa poupança, mas não ajudam na dinâmica nem na travagem. A direção é direta e tem o peso certo, ao nível da do Fiesta. O conforto a bordo é assinalável, com a suspensão a absorver a maioria das irregularidades do piso, e a insonorização é muito boa. A título comparativo, as prestações ficam a perder face às do Peugeot 208 1.2 VTi com 82 cv, aproximando-se mais das do Opel Karl 1.0 com 75 cv; tendo consumos mais elevados face a ambos os modelos igualmente equipados com motores atmosféricos (mais 0,6 e 0,2 l/100 km, respetivamente), segundo as nossas medições. O Ka+ traz de série: vidros da frente e retrovisores elétricos, ligação USB e Bluetooth, “hill-assist” e computador. A versão Ultimate acrescenta: MyKey, ar condicionado e rádio DAB.

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